22 de abril de 2009
 Professores fazem conferências esta semana e planejam paralisação para sexta

Começa nesta segunda (20) em todo o país uma semana de conferências escolares estaduais e municipais em defesa da educação pública brasileira. Coordenada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação), a mobilização vai culminar com uma paralisação geral dos professores de escolas públicas de todo o país na próxima sexta-feira (24).

"Essas conferências escolares têm incluído vários temas de discussão nas escolas, desde o financiamento da educação, a gestão democrática e qualidade da educação. E no dia 24 teremos greve nacional de um dia em defesa do piso que não foi implantado ainda por muito estados", explica Denilson Costa, secretário-geral do CNTE.

Segundo ele, mesmo os professores dos estados que já aplicam o piso de R$ 950 estipulado por lei federal, vão parar para defender a aplicação de outros pontos da lei que ainda não estão sendo respeitados por muito estados. "Na verdade, essa é uma lei que tem várias conseqüências, porque tem estados que aplicam o piso, mas não respeitam a jornada de trabalho ou o reajuste anual do piso, por exemplo", explica Costa.

As conferências que ocorrerão ao longo da semana também terão como objetivo preparar os delegados que irão para as conferências estaduais e municipais preparatórias à Conferência Nacional da Educação, que será realizada no próximo ano.

Mariana Jungmann


 Ideias para o ensino na próxima década começam a ser discutidas em evento

O ministro da Educação, Fernando Haddad, lança na quinta-feira, 23, a Conferência Nacional de Educação (Conae). A solenidade, às 9h30, será realizada no auditório do Ministério da Educação e transmitida ao vivo pela TV MEC. Até o fim do ano, entidades representativas de todos os setores da sociedade civil vão discutir sobre a educação que o Brasil quer e trazer as ideias para a conferência nacional, prevista para abril de 2010.

O lançamento da Conae tem dois objetivos. O primeiro é apresentar ao país o tema central da conferência: Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação – Diretrizes e Estratégias de Ação. O segundo, incentivar a participação da sociedade nas centenas de debates municipais, intermunicipais e estaduais que antecederão o evento.

De acordo com o presidente da comissão organizadora da Conae, Francisco das Chagas, o envolvimento de todos os cidadãos brasileiros nessa discussão é importante porque está em pauta a definição de rumos para a educação nacional das próximas décadas.

Os participantes do lançamento da conferência que estiverem em Brasília ou acompanhando o evento em qualquer parte do país pela TV MEC vão conhecer a programação das conferências preparatórias e seus calendários e os seis eixos que nortearão essas atividades em escolas, municípios e estados, envolvendo da educação básica à pós-graduação.

Programa — Das 9h30 às 11h está programada a abertura, a apresentação dos integrantes da comissão organizadora e a fala do ministro Fernando Haddad. Das 11h às 12h, o pesquisador da Unicamp Demerval Saviani e o deputado Carlos Abicalil (PT - MT), da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, vão debater o tema central da Conae e responder perguntas dos internautas. As perguntas podem ser enviadas antecipadamente ou feitas na hora pelo correio eletrônico conae@mec.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Ionice Lorenzoni


 A autonomia da escola

“A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) trouxe um cenário surpreendente, uma mudança de paradigma na educação básica que transforma a escola de centro de transmissão de informação em laboratório de aprendizagem”. A afirmação é do professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), que participou do VIII EPEB (Encontro Perspectivas do Ensino de Biologia), realizado entre os dias 20 e 22 de fevereiro na Cidade Universitária, em São Paulo. Ao lado do professor, compondo a mesa redonda “A presença da Biologia na reforma educacional e suas implicações para a construção da cidadania e do conhecimento”, participaram também os professores Graça Aparecida Cicillini, da Faculdade de Educação da Universidade de Uberlândia, e Alice Casemiro Lopes, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Bizzo iniciou sua participação abordando a reforma da educação e a presença da Biologia nela. Ele entende que há uma tentativa de mudar o caráter da escola por trás da LDB. “A escola não deve ser vista como um lugar onde as pessoas se sentam e recebem alguma coisa; a escola deve ser um lugar onde algo tem que ser criado; e esse algo a ser criado não está preestabelecido”, frisou.

Em outro momento de sua fala, o professor destacou que a LDB não traz nenhuma disciplina obrigatória, apesar de muitos educadores perguntarem qual é o currículo mínimo. “O que há de obrigatório é que cada escola precisa ter o seu projeto pedagógico”, salientou. Bizzo disse ainda que o projeto pedagógico pode ser diferente de uma escola para outra. “Darcy Ribeiro sabia da diversidade de nosso País e que não havia sentido colocar uma camisa-de-força nas escolas”. Outro ponto importante lembrado por Bizzo foi sobre a participação dos professores: “Isso está assegurado na lei”, ressaltou, referindo-se ao projeto pedagógico como uma “constituição da escola”.

As mudanças decorrentes da LDB vêm deixando muitos profissionais da educação perplexos porque, segundo Bizzo, “estavam acostumados a grades curriculares, conteúdos mínimos, mínimos horários etc.” O professor da USP entende que o momento atual é de tomada de decisão. Prova disso foi um curso semipresencial realizado no início deste ano com professores da rede: “O que os professores mais querem discutir é o que é um projeto pedagógico”.

Bizzo, em outro momento de sua fala, abordou o conteúdo nas diretrizes curriculares. Ele entende que o conhecimento científico não é um fim em si mesmo. “É apenas uma maneira, um coadjuvante para ajudar a desenvolver competências”, garantiu. Essa idéia, no entanto, tem gerado muita confusão. O que fazer com o conhecimento que tivemos na escola? Qual a sua função? Bizzo apresentou duas respostas. “Alguns dizem que o conhecimento científico é o contexto da aprendizagem”. Ou seja, a escola assimila os conhecimentos científicos que devem ser entendidos pelo aluno e que devem ajudá-lo a desenvolver competências com base neles. Mas há também aqueles que entendem que o importante é “desenvolver competências”. Neste caso, o conhecimento é um pretexto para a aprendizagem.

“Então posso pegar um artigo de jornal ou alguma coisa que suscite uma discussão; e a partir dela desenvolver a capacidade de argumentação, de comunicação, de análise de dados, ou seja, faço os alunos desenvolverem competências mais genéricas que podem ser aplicadas a diferentes contextos”, explicou. Essa concepção de educação, segundo Bizzo, aparece claramente nas avaliações como a do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que a chamou de “exame de competências”.

Bizzo concluiu sua participação no VIII EPEB dizendo que “vivemos um momento para entender a autonomia que a lei nos faculta”. Além disso, recomendou questionarmos sobre como podemos administrar essa autonomia entendendo que o conhecimento pode ser pretexto, mas também pode ser contexto de aprendizagem.

Ebenezer de Menezes, da Agência EducaBrasil


14 de abril de 2009
 Para secretária, hábito de leitura melhora gradualmente entre crianças e jovens

O hábito da leitura vai se tornando, a cada ano, mais presente entre a população infanto-juvenil brasileira. A avaliação é da secretária-geral da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), Elizabeth Serra. Para ela, em comparação a outros anos, pode-se observar no país a existência de um contingente maior de crianças, jovens e professores preocupados em promover a leitura.

"Mas, do ponto de vista de um resultado, a gente ainda tem muito para fazer", observou a secretária. Na sua opinião, a ampliação do número de leitores na faixa infanto-juvenil requer bibliotecas que tenham livros atualizados todos os anos.

"A gente não tem um sistema de bibliotecas que funcione, apesar do esforço que vem ocorrendo no sentido de ampliar o número de unidades. Mas, isso implica a formação de bibliotecários, compra de acervos, formação de pessoal capacitado. Implica que as escolas tenham bibliotecas para poder ensinar a essas crianças que quando elas cumprem o período escolar, podem dar continuidade à sua habilidade leitora em uma biblioteca pública. Essa tradição a gente ainda não tem".

Uma coisa é formar leitores e outra é manter, lembrou Elizabeth Serra. "No nosso trabalho de 40 anos, a gente acredita firmemente que é a literatura, é o livro de qualidade que vai poder, mediado por um adulto, criar as condições de desenvolver esse leitor. O trabalho é enorme e longo, vem obtendo conquistas, mas ainda é preciso fazer muito".

Ela afirmou que eventos como o Salão do Livro Infantil e Juvenil, promovido pela eundação, bem como as bienais e feiras do livro, contribuem para fazer germinar na criança e no jovem o gosto pela literatura. "É um momento do encontro com o objeto livro, com os autores. E isso é uma cultura que vai se constituindo. A gente considera da maior importância esse tipo de atividade. Quanto mais tiver, melhor".

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil é a única instituição no Brasil que realiza um salão com foco exclusivo no livro de literatura e no informativo, e não em livros didáticos. Nas atividades de leitura organizadas pela FNLIJ, o livro é o principal personagem.

"A gente não usa nenhum tipo de artifício cenográfico ou de dramatização, exatamente para procurar valorizar o texto, a ação de leitura que é, no fundo, a ação que transforma. A gente tem que acreditar que o texto, por si só, tem força. O texto, quando bom, provoca a curiosidade. É ele que levanta perguntas, que nos faz pensar. É acreditar na força do texto ficcional e no de informação que têm qualidade, seja no texto, seja na ilustração", afirmou Elizabeth Serra.

Alana Gandra

Agência Brasil


 Alunos aprendem menos Matemática no 3º ano do fundamental

Identificar um círculo na forma de um sol desenhado, apontar no calendário os domingos que caem em dias pares, saber que o biscoito com validade de 12 meses fabricado em março de 2008 já venceu ou apenas dizer quanto é 4 + 3. Conhecimentos matemáticos básicos que qualquer criança que concluiu o 3º ano (antiga 2ª série) do Ensino Fundamental possui, certo? Errado. É o que mostra o resultado do teste de Matemática divulgado recentemente. E que pode ser explicado por outro resultado, ainda inédito, de pesquisa realizada por seis universidades do País: os alunos da rede pública de várias capitais aprendem menos Matemática no 3º ano do que em qualquer outra série do primeiro segmento do Ensino Fundamental.

Por quatro anos, especialistas fizeram testes de Português e Matemática para verificar o desempenho de 20 mil crianças, em 880 turmas, de 303 escolas públicas e privadas do Rio, Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Salvador (BA) e Campo Grande (MS). O Projeto Geração Escolar (Geres) os acompanhou do 2º ao 5º ano (antiga 1ª série à antiga 4ª série) e identificou um obstáculo na vida escolar dos alunos de unidades estaduais e municipais no terceiro ano de estudo. Eles aprendem, em média, três vezes menos conteúdo.

"É como se houvesse uma paradinha na evolução do aprendizado. Por algum motivo, eles desaceleram ou o ensino diminui seu ritmo", explica um dos coordenadores da pesquisa, Nigel Brooke, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Laura Ribeiro, 9 anos, aluna de uma escola municipal na Zona Oeste, é um exemplo do que mostrou o estudo. Ela concluiu o 3º ano em 2008, mas não sabe o que é um pentágono nem consegue diferenciar pares e ímpares. Seu colega de turma Jeferson Marques, 11, tem dificuldades em multiplicar números de um dígito e também errou as perguntas do início deste texto, que estão entre as questões do provão aplicado pela Secretaria Municipal de Educação. Já Adriano Domingos de Oliveira, 8, que cursa o 3º ano em escola municipal no Centro, não sabe quanto é 4 + 3. "Eu sei tabuada, mas é difícil", diz Laura.

A dificuldade é um problema específico dessa série, porque nas duas posteriores os alunos retomam o progresso em um ritmo mais acelerado, dentro da média observada no 2º ano. ¿Eu acredito que a pressão em cima das professoras para ensinar as crianças a ler e escrever, a consolidar a alfabetização para fechar esse ciclo, faz com que elas privilegiem o ensino da língua e dediquem menos tempo aos números¿, diz Nigel.

Matemática de 3ª ano
No 3º ano o aluno já deve ser capaz de ler, escrever, comparar e ordenar números, resolver situações-problema envolvendo adição e subtração, realizar cálculo mental e exato de subtrações, fazer multiplicação por 2, 3, 4 e 5, calcular resultados de multiplicação e divisão através de estratégias pessoais, interpretar tabelas simples e perceber semelhanças e diferenças entre cubos, quadrados, retângulos, triângulos e círculos.

Desempenho abaixo do esperado
Na avaliação do Geres, 40% dos que estudam em escolas municipais e 33% dos matriculados nas estaduais, ao fim do 3º ano, ainda não tinham chegado ao nível básico de aprendizado: não eram capazes, por exemplo, de decodificar o sentido de palavras em um contexto ou recuperar informação explícita em um pequeno texto.

Mais repetência
O Ideb-2007 mostrou que o 3º ano (ex-2ª série) é o que mais reprova no Ensino Fundamental. Apenas 67% dos alunos das escolas estaduais passaram para o 4º ano em 2007.


Caminho sem volta
Ainda que retomem o ritmo do aprendizado, os alunos das escolas públicas dificilmente recuperam o "buraco" deixado pelo conteúdo que não aprenderam ou não lhes foi ensinado no 3º ano. A prova do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio, realizada em novembro, mostrou que 23% dos alunos de 5º ano não conseguiam formar uma frase e 42% não sabiam as 4 operações.


 UFRGS não adotará novo vestibular em 2010

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Netto, afirmou que a instituição não vai adotar o novo vestibular proposto pelo MEC no concurso de 2010. No novo modelo, as instituições federais de ensino superior poderiam utilizar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de seleção para candidatos às vagas nas faculdades.

Segundo o reitor, o concurso vestibular 2010 levará em consideração as mudanças propostas pelo Enem, mas esta não será a única forma de avaliação. "Tradicionalmente a UFRGS possui um vestibular estruturado e uma grande demanda que precisa ser considerada. Sabemos que o sistema de avaliação terá mudanças, mas a decisão final deverá ocorrer no final do mês de julho, quando os Conselhos Superiores da Universidade definirão o modelo", disse.

O reitor afirmou também que a UFRGS apóia as mudanças apresentadas pelo MEC e considera importante a proposta de um entrosamento maior entre o ensino médio e a universidade.

Novo Enem
O primeiro Enem no novo formato será realizado nos dias 3 e 4 de outubro deste ano. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o novo exame deverá ter a participação de 4 a 5 milhões de estudantes no País, em vez dos atuais 3 milhões.

A partir da divulgação dos resultados, o aluno irá se inscrever em um sistema online com o número do CPF. O sistema será semelhante ao usado na seleção de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos).

O estudante deverá escolher cinco opções de cursos, que podem ser em uma mesma universidade ou em instituições federais diferentes. A partir dessa inscrição, o candidato poderá monitorar diariamente como está a concorrência para os cursos escolhidos. Ele poderá alterar, a qualquer momento, a opção que pretende disputar.

O novo Enem será formado por quatro provas e uma redação que devem ser aplicadas em dois dias. A idéia é que sejam realizados testes de linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas, cada um com 50 itens.

Redação Terra


 Novo Enem será realizado nos dias 3 e 4 de outubro

O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá fazer o papel de vestibular unificado para as universidades federais, já tem data marcada: 3 e 4 de outubro. O cronograma apresentado aos reitores das instituições prevê a divulgação dos resultados da prova objetiva em 2 de dezembro e da redação em 8 de janeiro de 2010. Pelos cálculos do Ministério da Educação (MEC), o novo exame deverá ter a participação de 4 a 5 milhões de estudantes, em vez dos atuais 3 milhões.

A partir da divulgação dos resultados, o aluno irá se inscrever em um sistema online a partir do número do CPF. O sistema que será semelhante ao usado na seleção de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos). O estudante deverá escolher cinco opções de cursos, que podem ser em uma mesma universidade ou em instituições federais diferentes. A partir dessa inscrição, o candidato poderá monitorar diariamente como está a concorrência para os cursos escolhidos. Ele poderá alterar, a qualquer momento, a opção que pretende disputar.

"Na prática, o estudante concorre a todas as vagas das universidades federais. A partir do momento que ele percebe que suas chances são menores em um curso específico, ele pode migrar", explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Caso o estudante não seja selecionado para o curso que marcou como prioridade, ele pode ser aprovado para a sua segunda opção, de acordo com a sobra de vagas.

Segundo o ministro, esse sistema só poderá ser utilizado pelas universidades que adotarem o Enem como prova única de seleção. Ou seja, aquelas que quiserem aplicar uma segunda fase além do exame nacional não incluirão as suas vagas nesse sistema. "Se a primeira opção do aluno é um curso em que é exigida mais uma fase, ele poderá ser prejudicado, porque, se ele não passar na segunda fase, aquela vaga que ele marcou na segunda opção já terá sido preenchida", disse.

Haddad ressaltou que os modelos de avaliação seriada adotados por algumas instituições, como a UnB (Universidade de Brasília), não ficam impedidos de existir com o sistema unificado. A universidade poderá reservar parte das vagas para essas formas de seleção, bem como para as políticas afirmativas de cotas.

O sistema permitirá ainda que a instituição atribua pesos distintos às notas do aluno nas diferentes provas do Enem. O mecanismo já é usado por algumas seleções que dão maior peso ao resultado das provas da área de exatas, por exemplo, ao selecionar um aluno para o curso de engenharia.

O novo Enem será formado por quatro provas e uma redação que devem ser aplicadas em dois dias. A idéia é que sejam realizados testes de linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas, cada um com 50 itens.

Um termo de referência com todos detalhes técnicos foi entregue ontem aos reitores que irão discutir nas universidades se vão aderir ao novo Enem como forma de seleção em substituição ao vestibular. De acordo com Haddad, o ministério ainda não contabilizou quantas instituições manifestaram esse interesse. Mas ele voltou a afirmar que a proposta tem sido bem aceita.

"As instituições têm toda a liberdade para não aderir, aderir como unificado ou aderir parcialmente. Acho que o debate amadureceu nos últimos anos ", avaliou. Também já foi criado um comitê de governança que será responsável pela criação desse novo modelo de vestibular. Fazem parte do grupo as universidades federais, os secretários estaduais de Educação e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo Enem.

Agência Brasil


23 de março de 2009
 Cresce oferta de vagas para estagiários de nível técnico

Pesquisas indicam que alunos do médio regular perdem espaço
NATALIE CATUOGNO CONSANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A oferta de vagas de estágio de nível técnico está crescendo, ao passo que o nível médio regular pode estar perdendo espaço, segundo empresas e especialistas ouvidos pela Folha.
Levantamento do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) mostra que, enquanto o número de vagas para estudantes do ensino técnico aumentou 52%, a procura pelos de nível médio recuou 60% entre a primeira semana de setembro de 2008 e a primeira deste mês.
Segundo a Abres (Associação Brasileira de Estágios), a oferta de vagas de nível médio - regular e técnico - caiu 46% no primeiro bimestre de 2009 ante o mesmo período de 2008.
Para o presidente da Abres, Seme Arone Júnior, o médio regular puxou a queda. "Estamos levantando [os dados] com escolas técnicas e percebemos que o médio técnico teve ligeiro crescimento em 2009."
Ele crê que isso se deva à restrição que a nova lei do estágio impôs à contratação de estudantes do médio tradicional.
Isso porque o número de estagiários deve ser proporcional ao total de funcionários. Uma empresa com dez funcionários pode ter, no máximo, dois estagiários de nível médio. Por isso estaria havendo migração na contratação de estudantes do ensino médio para alunos de cursos profissionalizantes.
A demanda por estagiários e mão-de-obra qualificados em alguns setores, aquecida desde antes da crise (leia acima), também explica o aumento.
Vítor Brum, diretor de extensão do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), aponta aumento de 30% na oferta de vagas no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2008. Para ele, o mercado está reconhecendo a formação técnica como mais prática.
Aumento no regular
Por outro lado, o Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola) aponta aumento de 18% nas vagas para o ensino médio (tradicional e técnico, com ênfase para o regular), graças à retomada de contratações pelos órgãos públicos em janeiro deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2008.
Segundo Eduardo de Oliveira, superintendente de operações do Ciee, a nova lei ajudou - e não atrapalhou -, uma vez que definiu com clareza as possibilidades de contratação de alunos do ensino médio.
Alexandre Oliveira, gerente de estágios da Gelre, pontua que está havendo aumento na demanda por estudantes de todos os níveis e que não há migração de vagas entre médio regular e técnico.


 Palácio também celebrou bibliotecários

O Palácio do Planalto também entrou na onda das comemorações do Dia do Bibliotecário nesta quinta-feira (12/3). Organizou o debate Bibliotecário no Brasil – O Mundo da Informação: o capital humano em debate, realizado no auditório do anexo I, pertinho do gabinete do presidente da República.


 Audiência pública sobre cotas divide opiniões de senadores

Em audiência pública realizada na quarta-feira (18), na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para debater a criação de cotas em instituições públicas federais de ensino, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) deixou clara sua intenção de atrasar ainda mais a tramitação da proposta que já completa dez anos de discussão no Congresso. O parlamentar é presidente da Comissão e se diz favorável à reserva de vagas para alunos oriundos de escolas públicas, mas é contra a proporcionalidade de negros e índios estipulada no PL 180/2008.

A principal opositora de Torres foi a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Ela solicitou que a CCJ vote a proposta na quarta-feira (25). O presidente argumentou inicialmente que a CCJ vai atender aos pedidos do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e do reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Amaro Lins, para exporem suas opiniões em nova audiência pública que acontecerá na próxima semana. Diante da insistência de Ideli em votar o PL depois da próxima audiência, Torres alegou que a agenda da Comissão está cheia.

Durante o debate realizado no Senado o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, pediu a aprovação imediata do projeto e mencionou experiências bem-sucedidas em universidades que já adotam as cotas mesmo sem a aprovação da lei. Ele relembrou os dados publicados em agosto de 2008 pelo jornal Correio Braziliense sobre o desempenho de alunos cotistas na Universidade de Brasília (UnB). Segundo o levantamento, a média das notas dos alunos beneficiados pela ação afirmativa em 2004 supera ligeiramente a média dos demais: 3,9 contra 3,8 em uma escala de 0 a 5. Além disso, apenas 1% dos 378 cotistas da época abandonou o curso.

Após aproximadamente cinco horas de audiência apenas oito dos 31 senadores que registraram presença estavam no final do debate e manifestaram seu ponto de vista.